Jovens privilegiam o bem-estar e a saúde mental na escolha de um trabalho
Pesquisa mostra que trabalhadores entre 16 e 29 anos optam por um ambiente profissional menos estressante, mesmo que isso implique receber menos
O cuidado com a saúde mental é uma marca da nova geração de profissionais que estão sendo formados. Segundo a pesquisa “Juventudes e o Mundo do Trabalho”, do Observatório da Fundação Itaú, 62% dos jovens aceitariam ganhar um pouco menos para ter um ambiente de trabalho com menor grau de pressão e estresse, contra 38% que priorizaram o salário.
O estudo revelou que os novos profissionais tendem a priorizar a saúde mental, em especial, os menos escolarizados. Quatro a cada cinco jovens (73%) que concluíram apenas o Ensino Fundamental desejam um local de trabalho com menor pressão psicológica, mesmo com rendimento mais baixo.
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O ambiente profissional com menor estresse e o cuidado com o emocional também são fatores que determinam a permanência do trabalhador. A principal razão para os jovens deixarem o emprego foi a falta de respeito ou o tratamento inadequado por parte de lideranças e chefias, com 43% das respostas.
Outros fatores foram a jornada extensa e desgastante ou o acúmulo de funções, apontados por 36% dos entrevistados, além do excesso de cobrança por resultados, mencionados por 32%.
A pesquisa mostra que a falta de respeito por parte das lideranças e a pressão excessiva são percebidas com maior intensidade pelas mulheres. Quase metade das jovens (48%) afirmou já ter pedido demissão em razão do tratamento inadequado de seus gestores, percentual superior ao registrado entre os homens (39%). Em relação à cobrança excessiva por resultados, 35% das mulheres disseram ter deixado um emprego por esse motivo, ante 28% dos homens.
Sobre a pesquisa
A pesquisa “Juventudes e o Mundo do Trabalho” é uma realização do Observatório Fundação Itaú e Itaú Educação e Trabalho, com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva. O levantamento foi realizado em 2026, dividido em duas fases: na etapa quantitativa, foram feitas entrevistas presencialmente de 1.816 jovens de 16 a 29 anos; na qualitativa, foram organizados 16 grupos focais virtuais, com seis a oito participantes cada, de diferentes estratos socioeconômicos.