
Conheça cinco recomendações para qualificar os jovens para o futuro
Estudo alerta que as desigualdades entre jovens podem se aprofundar com as transformações do mundo do trabalho
O mundo do trabalho passa por intensas transformações, trazendo novos desafios para que os jovens tenham acesso a oportunidades de formação e inserção profissional. Neste Dia Internacional da Juventude (12), a Fundação Itaú destaca cinco recomendações para enfrentar esse cenário e preparar as novas gerações para as mudanças nas relações de trabalho.
As sugestões estão reunidas no documento “(Re)Qualificação das juventudes para um mundo em transformação”, que também aborda os desafios impostos pela renovação do mercado profissional. De acordo com o estudo, os principais fatores que impulsionam essas novidades são os avanços tecnológicos, as mudanças climáticas e a transição demográfica.
O contexto é ainda mais desafiador para os jovens em situação de vulnerabilidade, que enfrentam maior dificuldade de acesso à formação. Em comparação com aqueles de maior renda, essa preparação restrita pode ampliar as desigualdades já existentes e dificultar a entrada e a permanência no mercado de trabalho.
Para enfrentar esse cenário, confira cinco recomendações que podem orientar políticas públicas de qualificação dos jovens:
A proposta é adaptar o conteúdo dos programas de formação profissional à realidade do público-alvo, reconhecendo as lacunas de competências e os obstáculos culturais e sociais enfrentados pelos jovens em seu cotidiano.
É preciso reconhecer que a qualidade dos programas de qualificação não é determinada pelo número de horas ou pela especificidade técnica oferecida. Na prática, a qualidade dessas formações se evidencia quando os jovens conseguem se inserir e progredir no mercado de trabalho ao longo do tempo.
O estudo identificou que alguns programas de qualificação ainda estão desconectados das tendências do mercado de trabalho, oferecendo formações voltadas a ocupações de menor qualidade ou com risco de se tornarem obsoletas. Nesse contexto, é recomendável que as capacitações estejam alinhadas às atividades consideradas portadoras de futuro em cada localidade, além de garantir os meios necessários para que essa conexão seja efetiva e se mantenha ao longo do tempo.
Para evitar que as capacitações profissionalizantes sejam oferecidas de forma isolada, é recomendável instituir um modelo padronizado, integrado e verticalizado de oferta de conteúdos. Isso significa criar pontes entre os cursos de formação inicial, o ensino técnico e o superior, permitindo que o conhecimento adquirido em uma etapa seja aproveitado na próxima.
O Brasil conta com uma ampla gama de atores envolvidos na oferta de qualificação profissional. Portanto, é importante estabelecer um diálogo constante entre eles para evitar a sobreposição de conteúdos e identificar possíveis lacunas na oferta de formação.
Sobre a pesquisa
O estudo foi realizado pelo Itaú Educação e Trabalho e Fundação Arymax, com a colaboração técnica do Instituto Veredas. Para a construção do documento, foram revisados 211 documentos nacionais e internacionais e realizadas entrevistas, grupos focais e oficinas com 40 participantes, entre eles jovens, gestores públicos, especialistas e representantes do setor produtivo.