
Juventudes Negras e Empregabilidade: Desafios estruturais e caminhos para a equidade no mercado de trabalho no Brasil
Produzido pelo Observatório Fundação Itaú e Pacto de Promoção da Equidade Racial
Objetivo
Apresenta uma análise aprofundada da evolução da inserção da juventude negra no mercado de trabalho brasileiro.
As juventudes negras representam a maioria da população jovem do Brasil, mas são o grupo mais atingido pelas desigualdades estruturais que limitam o acesso à educação, à inclusão produtiva digna e à mobilidade social. Reconhecer e compreender essas disparidades é essencial para a construção de um futuro mais justo e equitativo.
Uma Métrica para a Transformação: O IEERJN
Para mensurar e monitorar objetivamente essas desigualdades, o estudo desenvolveu o Índice ESG de Equidade Racial da Juventude Negra (IEERJN). O IEERJN avalia a distribuição de negros (pretos e pardos) nas diversas profissões, segmentada por nível de escolaridade (fundamental incompleto à pós-graduação), identificando os níveis de segregação ocupacional.
Essa ferramenta serve como um instrumento crucial para o setor público, empresas e público geral identificarem o nível de desequilíbrio racial em setores e regiões, indicando onde investir esforços para diminuir as disparidades entre jovens profissionais de 15 a 29 anos.
As Disparidades em Números
Os dados estatísticos do estudo reforçam a urgência da questão:
• Desemprego e Informalidade: A taxa de desemprego dos jovens negros (13%) é superior à dos brancos (10%). A informalidade atinge 48% das juventudes negras, em contraste com 37% das juventudes brancas. As jovens mulheres negras estão no grupo de maior representação entre os desempregados e ocupam a base da hierarquia salarial no setor formal.
• Escolaridade e Segregação: A desigualdade racial torna-se mais evidente à medida que os níveis de escolaridade aumentam. Jovens negros com ensino superior completo e pós-graduação estão em situação de maior exclusão, enquanto a maioria está concentrada em ocupações de baixa hierarquia e remuneração, geralmente associadas a menores níveis de escolaridade.
• Disparidades Regionais: Estados do Sudeste e Sul (como São Paulo) apresentam maior exclusão dos jovens negros no mercado formal (que conta com maior presença de jovens brancos), mesmo oferecendo melhores salários e oportunidades, enquanto as regiões Norte e Nordeste mostram maior presença de jovens negros, mas com menor renda média.