Democratização da EPT no Brasil

Democratização da EPT no Brasil: análise sobre a oferta

Análise da oferta da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil, com o recorte de raça, gênero, condição socioeconômica e local de residência, a fim de examinar a equidade de acesso.

Pesquisa publicada em 2024

O estudo analisa a democratização da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil, considerando fatores como raça, gênero, condição socioeconômica e local de residência. Historicamente, o Brasil apresenta baixos níveis de escolarização, impactando o desenvolvimento econômico e a concentração de renda. A EPT, em particular, possui um número baixo de matrículas em comparação com outros países, apesar dos retornos econômicos associados a ela.

O material investiga se a oferta de EPT é equitativa para jovens brasileiros, focando em quatro dimensões: socioeconômica, gênero, raça e local de residência. Também propõe uma trajetória de expansão do acesso equitativo nos sistemas estaduais de EPT até 2034.

Os resultados indicam um relativo equilíbrio no número de matrículas na EPT nas dimensões de gênero, raça e localização. No entanto, há um desequilíbrio considerável na dimensão socioeconômica, onde jovens de menor nível socioeconômico estão menos presentes na EPT.

  • Gênero: Há um relativo equilíbrio, mas desequilíbrios surgem quando se analisam eixos de especialização dos cursos. Mulheres estão sobrerrepresentadas em áreas como ambiente e saúde e turismo, hospitalidade e lazer, e sub-representadas em controles e processos industriais e informação e comunicação.
  • Raça: As disparidades são maiores que as de gênero, mas ainda relativamente baixas. Variam de acordo com a região e o eixo de especialização. No Sudeste, há sub-representação de pretos, pardos e indígenas nos cursos de EPT.
  • Socioeconômico: Esta é a dimensão mais desequilibrada. Filhos de mães com baixa escolaridade estão menos presentes na EPT. Todas as regiões brasileiras apresentam desequilíbrios, com os estados do Sudeste mostrando os maiores.
  • Localização: Desequilíbrios entre capital e interior são baixos no geral, mas variam de acordo com o eixo de especialização. Cursos de recursos naturais são mais ofertados no interior, enquanto cursos de produção cultural e design são mais ofertados nas capitais.

O documento propõe, ao final, metas de expansão das matrículas para cada sistema estadual de ensino, visando equilibrar a oferta de EPT nessas quatro dimensões até 2034. Há uma grande heterogeneidade de trajetórias, exigindo que cada estado elabore planos considerando suas particularidades locais.

Em resumo, embora haja um certo equilíbrio geral na EPT em relação a gênero e raça, a dimensão socioeconômica apresenta o maior desafio. Os desequilíbrios variam significativamente entre regiões e eixos de especialização, indicando a necessidade de políticas públicas específicas para cada contexto.

IET_Democratização da EPT_diagramação_VF_05-11-24_digital.pdf
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