A Matemática desempenha um papel fundamental na economia, influenciando setores estratégicos como tecnologia, finanças, engenharia e inovação. No entanto, no Brasil, a participação das ocupações intensivas em Matemática ainda é inferior à de países desenvolvidos, refletindo desafios na formação e na inserção desses profissionais no mercado de trabalho.
Este estudo busca quantificar a contribuição da Matemática para a economia brasileira, analisando a participação dessas ocupações no mercado de trabalho, sua distribuição setorial e impacto no Produto Interno Bruto (PIB). Para isso, utilizou-se a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) e as Contas Nacionais do IBGE, seguindo a metodologia do estudo "Étude de l'impact économique des Mathématiques en France", do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS). A adaptação ao contexto brasileiro envolveu a categorização das ocupações conforme sua intensidade no uso da Matemática e o cálculo de sua contribuição para os rendimentos nacionais.
A pesquisa aponta não apenas o impacto econômico da Matemática, mas também as desigualdades sociais dentro desse setor, destacando disparidades de gênero e raça na distribuição dessas oportunidades. Os resultados trazem insights para a formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da educação matemática e ao desenvolvimento de setores de alta tecnologia no Brasil.
Participação no Mercado de Trabalho: Das 99,8 milhões de pessoas ocupadas no Brasil, 7,4 milhões atuam em funções que exigem habilidades matemáticas. As ocupações da Matemática no Brasil estão muito mais concentradas nas áreas de serviços administrativos e de TI do que em áreas mais tradicionalmente ligadas à inovação e desenvolvimento tecnológico, como engenharia e pesquisa, como ocorre nos países europeus
Rendimento e Resiliência: Trabalhadores em ocupações matemáticas possuem salários superiores à média nacional e enfrentam menor taxa de informalidade. Durante crises econômicas, como a da pandemia de Covid-19, esses empregos demonstraram maior resiliência, com queda menor e recuperação mais rápida
Comparação Internacional: Apesar de ter mais trabalhadores na área do que a França (6,8 milhões contra 3 milhões), o Brasil gera uma receita proporcionalmente menor. Enquanto o setor matemático representa 18% do PIB francês, no Brasil, sua participação é de apenas 4,3%
Desigualdades Sociais: A pesquisa aponta disparidades significativas. Homens brancos dominam os empregos mais bem pagos, enquanto mulheres e pessoas negras têm menor presença e remuneração inferior
O estudo reforça a importância de investimento e aproximação das discussões do campo educacional das econômicas, sem deixar de levar em consideração que a empregabilidade e a produção não são a única finalidade da educação brasileira, mas sim dimensões importantes para serem consideradas na perspectiva do investimento público e do desenvolvimento econômico. Além do investimento educacional, o estudo evidencia a necessidade de maior investimento em áreas de inovação tecnológica, bem como de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades de gênero, raça e etnia, com o objetivo de ampliar o impacto positivo desse setor.