Baseado no parâmetro internacional “Every Hour Counts”, que defende o aprendizado fundamentado no pensamento crítico, resolução de problemas, eficiência na comunicação e conhecimentos gerais, o estudo foi realizado considerando como base de cálculo cinco bases de dados de abrangência nacional: PNAD 2019 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios); POF 2017-2018 (Pesquisa de Orçamentos Familiares); Censo Escolar 2019; o estudo Primeiríssima Infância – Interações 2020 (Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal) e TIC Domicílios 2018. Através dessas fontes de dados, foi possível estimar as horas de aprendizado das crianças e adolescentes de 0 a 14 anos, pertencentes a famílias em extremos de renda per capita no Brasil. A amostra foi dividida em dois grupos: os que integram os 10% com menor renda (média per capita de R$ 145) e os 10% que estão entre os de maior renda (média per capita de R$ 6.929).
Os dados indicam que o tempo de aprendizagem é uma oportunidade distribuída de maneira desigual e os estudantes de mais baixa renda sofrem as consequências disso. Se, por um lado, crianças de famílias com 10% das maiores rendas aprendem a ler, criar, resolver problemas e desenvolver-se de forma integrada, por meio das mais diversas experiências de aprendizagem, no outro extremo crianças das famílias com 10% menores rendas têm menos acesso a essas e outras oportunidades de aprendizagem.
Ao final do 9º ano, crianças de famílias de alta renda recebem 7.124 horas a mais de aprendizagem


Mas, o que significa uma diferença de 7.124 horas? Como este valor pode ser interpretado em termos mais práticos?
Se essas horas fossem carga horária de uma⠀ESCOLA REGULAR⠀(de 900 horas/ano)?
As crianças mais ricas teriam estudado 7,9 anos a mais que as crianças mais pobres.
Se essas horas fossem carga horária de uma⠀ESCOLA INTEGRAL (de 1.800 horas/ano)?
As crianças mais ricas teriam estudado 3,9 anos a mais que as crianças mais pobres. 
E se essas horas fossem ATIVIDADES DE CONTRATURNO⠀(de 2 horas/dia)?
As crianças mais ricas teriam passado 3.562 dias a mais em atividades de contraturno.
As desigualdades sociais e educacionais no país se refletem na lacuna de oportunidades de aprendizagem entre crianças de diferentes níveis socioeconômicos. Neste sentido, o estudo não só evidencia a importância do desenvolvimento pleno, integral e integrado das crianças como também traz à tona a necessidade de ampliar este acesso, através da articulação intersetorial e da expansão das escolas e matrículas em tempo integral com qualidade e de forma equitativa, o que contribui para redução das desigualdades educacionais e para o desenvolvimento de oportunidades e necessidades cognitivas, físicas, sociais e emocionais de todas as crianças e adolescentes.