
Oito em cada dez brasileiros acreditam que a educação é o caminho para reduzir as desigualdades
Pesquisa do Observatório Fundação Itaú mostra que mulheres e pessoas negras percebem com mais intensidade as desigualdades de renda e a violência no país
Na data que celebra o Dia da Mulher Latino-Americana e Caribenha (25), a Fundação Itaú destaca que a educação é um dos principais caminhos para a mobilidade social. Para 79% da população, o investimento no ensino público de qualidade contribui para diminuir a violência e a diferença de renda entre as famílias.
Os dados são da pesquisa “Percepções sobre as Desigualdades no Brasil”, realizada pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico da Plano CDE e Datafolha. No levantamento, a oferta de educação de qualidade é a principal alternativa para reduzir as desigualdades, com 34% das respostas; seguidas pelo fornecimento de saúde, com 30%; e pela garantia de oportunidades de emprego e pela formação profissional, ambas com 23%.
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O estudo ainda revela que essa percepção é maior entre mulheres e pessoas negras. Um dos destaques para essa sensação ocorre no mercado de trabalho, com 59% das entrevistadas identificando diferenças na profissão, sejam elas salariais ou na ocupação de cargos de lideranças. Em relação ao público masculino, o percentual cai para 51%. Já para os trabalhadores pretos, 65% revelaram que notaram alguma disparidade na atividade laboral, enquanto o índice para os brancos é de 54%.
Os brasileiros reconhecem que a escravidão e o racismo estão entre as principais causas históricas da origem e da manutenção das desigualdades, com 44% e 47%, respectivamente. No entanto, aspectos culturais ainda são mais notados na visão dos participantes da pesquisa, com 76% e 75% apontando que a impunidade e o “jeitinho brasileiro”, respectivamente, são os dois motivos que tornam o país desequilibrado socialmente.
Apesar desse cenário, a maioria dos entrevistados (68%) concorda que os brancos têm mais chances de ocupar vagas em bons empregos, com bons salários. Enquanto isso, 30% afirmam que as possibilidades são iguais e apenas 2% dizem que os negros têm mais oportunidades.
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A mesma dinâmica se repete em outras áreas, como frequentar atividades culturais (48% para os brancos, 45% iguais e 5% para negros), acesso a serviços de saúde de qualidade (56%, 41% e 1%, respectivamente) e ter oferta de boas escolas (63%, 34% e 1%, respectivamente).
Discriminação
Segundo a pesquisa, um a cada quatro entrevistados afirmaram que já sofreram algum tipo de preconceito por conta da sua raça ou da cor (24%) ou por conta de seu gênero (25%). O percentual sobe quando a pergunta é respondida por pessoas negras e por mulheres.
Ao considerar apenas as pessoas pretas, 61% responderam que já foram alvo de discriminação racial, contra apenas 8% das pessoas brancas. Quando perguntadas sobre situações de preconceito relacionadas ao gênero ou à forma como se identificam, 32% das mulheres afirmaram já ter vivenciado esse tipo de discriminação. Entre os homens, o percentual foi de 18%.