
Fundação Itaú apresenta dossiê com desafios da educação
Documento lançado durante 10º congresso da Jeduca analisa temas como valorização docente, currículo escolar, sensação de pertencimento do estudante, cultura digital e equidade racial
A Fundação Itaú lança nesta semana o Dossiê de Pesquisas de Educação, um documento que reúne os principais desafios e oportunidades relacionados à educação e à melhoria da aprendizagem no Brasil. O material é formado a partir do cruzamento de mais de 30 estudos, realizados nos últimos três anos, e foi apresentado no 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação.
O documento mostra dados e análises sobre o cenário atual das escolas públicas, com destaques para temas como educação e desenvolvimento integral, aprendizagem dos estudantes, trabalho docente, práticas pedagógicas e currículo escolar, cultura digital e inteligência artificial e Educação Profissional e Tecnológica (EPT).
Cada eixo contém uma sessão em que são mostrados o acúmulo de estudos, pesquisas e debates sobre determinado tema. No entanto, a publicação lembra que os assuntos não devem ser observados separadamente, mas sim como parte de uma visão sistêmica e integrada na educação.
O primeiro capítulo é dedicado a avaliar diferentes aspectos que influenciam a permanência do estudante na escola. Embora o país tenha avançado na ampliação de acesso e fluxo escolar, pesquisas ainda apontam desigualdades nessas trajetórias educacionais.
Segundo o material, apenas 38% dos estudantes matriculados em escolas com baixo nível socioeconômico conseguiram finalizar o Ensino Fundamental dentro do percurso educacional regular, o que significa que o adolescente concluiu no prazo esperado, sem reprovação, evasão ou abandono. Em contrapartida, o índice sobe para 70% entre os alunos de escolas de nível socioeconômico mais elevado, um salto de mais de 30 pontos percentuais.
79% da população
acredita que investir na educação pública é essencial para diminuir a diferença de renda entre ricos e pobres.6 em cada 10 brasileiros
concordam que sem investimentos em educação, a pobreza passa de pais para filhos.Outro aspecto que evidencia disparidades sociais está atrelado às mais recentes transformações tecnológicas e o uso de inteligência artificial: um levantamento presente no material mostrou que os níveis mais baixos de desempenho nas atividades digitais se concentram entre pessoas com menor escolaridade, faixas etárias mais avançadas e entre a população negra, o que exige olhar atento para uma cultura digital que não atenue desigualdades já existentes.
O acesso às tecnologias tende a ampliar as diferenças já existentes entre estudantes de diferentes contextos socioeconômicos, raciais e territoriais. Nesse cenário, a democratização do acesso às ferramentas digitais surgem como um novo desafio para as redes de ensino que buscam garantir equidade, qualidade da aprendizagem e inovação.
41% dos brasileiros
acreditam que a melhoria da qualidade da educação e o avanço da ciência e da inovação estão entre os principais benefícios que a inteligência artificial pode trazer para a sociedade. No que se refere a EPT, o documento aponta caminhos para a redução das desigualdades por meio da inclusão produtiva dos jovens. Esta sessão também alerta para a forma como o bônus demográfico, às mudanças climáticas e à digitalização exigem um olhar atento para as possibilidades de ampliação do repertório de oferta de qualificação para as juventudes.
Apesar das oportunidades atreladas à inclusão produtiva das juventudes por meio da qualificação técnica, o documento evidencia desafios importantes para educação básica. Pesquisas recentes indicam que no Brasil, cerca de 9,8 milhões de jovens de 15 a 29 anos não estudavam e não tinham concluído a Educação Básica. Dentre esses, 70,8% são negros.
Um dos fatores mais decisivos que levam à evasão escolar é a necessidade de trabalhar, decisão que, a longo prazo, pode gerar prejuízos profissionais. Nesse cenário, a Educação de Jovem e Adulto (EJA) pode ser um caminho promissor para a continuidade e conclusão dos estudos. Os dados mostram que o grupo que concluiu o Ensino Médio por meio dessa modalidade viu sua renda do trabalho crescer em média 4,48%.
A interrupção das trajetórias escolares e a falta de conclusão da Educação Básica geram um prejuízo social anual estimado em R$ 220 bilhões, equivalente a cerca de 3,3% do PIB brasileiro. Esse impacto representa para a sociedade uma perda acumulada de R$ 395 mil por jovem e de R$ 290 mil na renda individual ao longo da vida de cada estudante que evade da escola.
Recomendações
O dossiê aponta seis recomendações gerais que podem contribuir para enfrentar os desafios apresentados no documento. São elas:
- Promover equidade, permanência escolar e proteção integral;
- Fortalecer ações para o enfrentamento do racismo e promoção da equidade;
- Promover o desenvolvimento integral, o acesso às artes, à cultura e à aprendizagem;
- Estimular uma educação digital crítica, ética e inclusiva;
- Promover a EPT e ampliar oportunidades de inserção produtiva;
- Assegurar valorização docente e fortalecimento da gestão educacional
Sobre o dossiê
O dossiê de Pesquisas de Educação 2026, produzido pelo Observatório da Fundação Itaú, reúne evidências de mais de 30 estudos realizados desde 2023 sobre os principais desafios e oportunidades para a educação brasileira. A publicação tem o objetivo de subsidiar gestores públicos, educadores, pesquisadores e organizações da sociedade civil na formulação de políticas e estratégias educacionais baseadas em dados.