
Fundação Itaú lança livro digital que une experiência sensorial com literatura, música e tecnologia
A obra “O Jabuti não tá nem aí” conta com elementos interativos para tornar a leitura mais lúdica e imersiva
A Fundação Itaú lança o livro digital “O Jabuti não tá nem aí”, de Itamar Assumpção e Dalton Paula, publicado pela editora Caixote. O projeto nasceu da transformação dessa obra em uma versão digital interativa e acessível que vai além da simples digitalização, promovendo a leitura conjunta entre crianças, responsáveis e educadores. O resultado é uma experiência inovadora que integra literatura, arte, design de aprendizagem, tecnologia e acessibilidade.
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Entre as ferramentas presentes na obra estão animações , vídeos, efeitos sonoros, músicas e narração. O livro digital também convida o leitor a interagir com as ilustrações, mudando o personagem de lugar ou clicando nos elementos da página para gerar novas reações.
Para tornar a experiência literária acessível a todas as pessoas, o título oferece recursos voltados para pessoas com baixa visão, o que aumenta a fonte e o contraste das imagens, além de conter audiodescrição e narração. Também há opções para pessoas com surdez, com tradução em Libras e textos otimizados.
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Além dos recursos de acessibilidade, a obra “O Jabuti não tá nem aí” é acompanhada por um Guia de mediação de leitura, que tem como um de seus objetivos estruturar conversas e atividades que ampliem o sentido da obra antes, durante e depois da leitura. O curso Mediação de literatura infantil digital, disponível na Escola Fundação Itaú, também pode ajudar nessa tarefa ao abordar estratégias que favoreçam às crianças aproveitarem todo o potencial da literatura infantil digital de forma segura e positiva.
A mediação de leitura - prática em que a criança interage com a história à medida que ela é narrada por um adulto - é considerada uma das experiências mais significativas para a formação infantil. Segundo o relatório “Impacto da leitura feita pelo adulto para o desenvolvimento da criança na primeira infância”, do Itaú Social, a ação contribui com a compreensão da realidade, além de gerar benefícios socioemocionais que acompanharão o indivíduo até a idade adulta.
A literatura, assim como outras formas de arte e esportes, são práticas que conectam a educação integral, quando realizadas com intencionalidade pedagógica. Apesar da relevância, a mediação de leitura não foi observada em 55% das turmas de creches e pré-escolas, segundo dados da “Avaliação da Qualidade da Educação Infantil: um Retrato pós-BNCC”, realizado em 2021 pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV), com apoio do Itaú Social.
Mesmo diante desse cenário, as crianças e os adolescentes são os grupos etários que mais consomem literatura. Cerca de seis em cada dez (62%) crianças de cinco a dez anos e adolescentes de 14 a 17 anos têm costume de ler. O maior percentual está na faixa dos onze aos 13 anos, com 81%.
O resultado é da 6ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura”, lançada pelo Instituto Pró Livro em parceria com a Fundação Itaú. Segundo o levantamento, 86% das crianças de cinco a dez anos têm interesse pela leitura, índice semelhante ao da faixa etária dos onze aos 13 anos, em que 87% disseram gostar da prática literária.
Sobre os autores
Nascido na cidade de Tietê, interior de São Paulo, Francisco José Itamar de Assumpção foi cantor, compositor, instrumentista, ator, produtor e escritor. Sua obra é composta por mais de 300 músicas, nove discos e centenas de poesias. Entre 1998 e 2003, Itamar dedicou-se a uma coleção de livros infantis, que permaneceram inéditos até 2021, quando foi lançada a primeira das quatro obras, “Homem-bicho, Bicho-homem”.
Já o ilustrador Dalton Paula nasceu em Brasília, em 1982, e atualmente vive em Goiânia (GO), onde trabalha como educador e artista visual. Atua com pinturas, fotografias, esculturas, instalações e, principalmente, com a investigação das influências da diáspora negra na história brasileira. Suas obras já foram expostas em museus como o Instituto Tomie Ohtake (SP) e em eventos de arte, como a Bienal de São Paulo e a Bienal de Veneza, e algumas delas integram permanentemente o acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP).