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Pressões ambientais impulsionam a expansão dos empregos verdes

Medidas de proteção ao meio ambiente, como o incentivo à produção de combustíveis sustentáveis, impactam a economia brasileira e impulsionam transições de carreiras


Os impactos da crise climática têm mobilizado diferentes setores da sociedade na busca por estratégias de mitigação de seus efeitos na saúde, educação, infraestrutura, agricultura e na economia. À medida que o poder público e as empresas privadas investem em soluções sustentáveis, cresce a demanda por profissionais ligados à economia verde.

A economia verde faz parte de um grupo de cinco “economias emergentes”, que apresentam o maior potencial de crescimento nos próximos anos, tendo como um dos pilares a produção de combustíveis sustentáveis. Durante a COP 30, realizada em Belém (PA), o Brasil assumiu o compromisso de quadruplicar a produção e o uso desses combustíveis até 2035. A meta deve impulsionar o mercado de trabalho, com a criação de novas oportunidades em cadeias produtivas vinculadas a uma economia mais limpa.

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Um desses combustíveis renováveis é o biodiesel, tema do relatório “Economia verde: o caso do biodiesel no Brasil e seus impactos no mercado de trabalho”, realizado em parceria pela Fundação Itaú e o Instituto Itaúsa. O estudo analisou seus efeitos em diferentes setores da economia e apontou que a política sobre esse combustível foi responsável pela criação de 277 mil empregos formais. As vagas se distribuíram entre agropecuária, construção, indústria de transformação, cadeia de biocombustíveis e, sobretudo, nos setores de serviços e comércio.

“A parceria está possibilitando uma série de estudos sobre o trabalho no contexto da transição para uma economia mais justa e ecológica. Estudos como este são muito importantes para nos ajudar a entender as relações entre o trabalho verde, a formação técnica e as desigualdades do mundo do trabalho”, explica Alan Valadares, coordenador do Observatório da Fundação Itaú.

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Outro item analisado no relatório foi a remuneração. Apesar da expansão no número de vagas, as ocupações destinadas a trabalhadores com menor qualificação (até o ensino médio incompleto) não registraram aumento salarial. Já nas funções que exigem maior nível de escolaridade (ao menos o ensino médio completo) foi observada queda na remuneração média.

“O estudo também identificou mudanças na composição do mercado de trabalho local. Houve aumento da participação feminina no emprego, especialmente em ocupações de maior qualificação, embora acompanhado por um aumento do hiato salarial entre homens e mulheres. Além disso, trabalhadores com menos de 25 anos e com 60 anos ou mais participaram menos do crescimento do emprego, e os mais jovens registraram perdas salariais relativas”, explica Ariaster Baumgratz Chimeli, professor da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador do estudo. 

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Sobre o relatório
A pesquisa foi realizada pelo Observatório Fundação Itaú e Instituto Itaúsa, com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. A análise quantitativa utilizou um painel de dados municipais de 2003 a 2022. A estratégia empírica foi o método DID (Diferenças-em-Diferenças), comparando municípios de até 300 mil habitantes com e sem produção de biodiesel, antes e após a instalação de usinas.

Grupo de estudos
O relatório faz parte do “Observatório do Trabalho na Transição Econômica-Ecológica”, uma iniciativa do Observatório Fundação Itaú e do Instituto Itaúsa. A ação busca promover e acelerar o impacto positivo da transição econômica justa na sociedade, com foco no mercado de trabalho brasileiro.

A primeira produção do grupo foi a revisão de uma série de estudos ligados à economia verde. A avaliação contou com apoio técnico da Catavento Pesquisas, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, resultando no documento “A transição para uma economia de baixo carbono e o mundo do trabalho: revisão de literatura e análises preliminares”.

O material está dividido em duas partes, com a primeira avaliando aspectos relacionados aos empregos, às habilidades e às ocupações verdes; enquanto a segunda traz uma abordagem sobre o nível de qualificação dos trabalhadores formais por setores selecionados no Brasil.

A parceria estabelecida pelo grupo tem previsão de duração de três anos, de 2025 a 2028. Durante esse período, a iniciativa deve produzir conhecimentos, evidências e dados sobre o trabalho no contexto da transição para uma economia com baixas emissões de carbono, essencial para mitigar a emergência climática.

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