Mulheres e negros são maioria entre estudantes de cursos técnicos
Formação profissional amplia as chances de maior rendimento entre os jovens
O Censo Escolar de 2025 revelou que 54,4% das matrículas em cursos profissionalizantes, nas redes pública e privada, são ocupadas por estudantes mulheres. Apesar de representarem a maioria, a série histórica do levantamento indica uma tendência de maior equilíbrio na distribuição de vagas entre os gêneros.
O maior desequilíbrio entre meninos e meninas nas matrículas em cursos técnicos foi observado em 2022, quando as estudantes alcançaram 58%, frente a 42% dos meninos — uma diferença superior a 15 pontos percentuais.
Desde então, as taxas de matrícula nessa modalidade vêm se aproximando entre os dois grupos. Atualmente, a diferença é inferior a 10%, e, nas escolas da rede pública, o índice chega a cerca de 5%.
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Já na comparação entre estudantes negros e brancos, a distância é ainda maior, com 63% das vagas ocupadas por pretos e pardos, e 36% por brancos. Nesse contexto, ao contrário do que se observa em relação ao gênero, existe uma tendência de crescimento da disparidade entre os grupos. Segundo o levantamento, entre 2024 e 2025 houve um aumento de 3,6% na participação de estudantes negros nessa modalidade, já para jovens brancos, foi observado uma queda de 3,6%.
Os cursos técnicos considerados pelo Censo Escolar são aqueles que estão integrados ao Ensino Médio e os de qualificação profissional, oferecidos por instituições como o Centro Paula Souza, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e Comercial (Senai e Senac), entre outros.
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Qualificação profissional
O crescimento de mulheres e jovens negros em cursos técnicos é apresentado como oportunidade de reduzir as desigualdades salariais. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, de 2024, profissionais pretos ou pardos ganhavam R$ 2.060, enquanto os brancos recebiam R$ 2.433, uma distância de 18%. Já a diferença entre os gêneros é ainda mais acentuada: cerca de 32%, com R$ 1.866 para as mulheres e R$ 2.472 para os homens.
Apesar da diferença, o nível de escolaridade ainda reflete no rendimento médio do trabalhador. Na ocasião em que foi realizado o levantamento, a média do salário de um profissional com curso técnico era de R$ 2.209, superior ao trabalhador que tem apenas o Ensino Médio, R$ 1.937.