Educação de Jovens e Adultos contribui para o desenvolvimento econômico do país
Pesquisa realizada com apoio do Itaú Educação e Trabalho mostra que a conclusão da educação básica pode gerar cerca de R$ 66 bilhões ao ano
Um estudo revelou que fortalecer a Educação de Jovens e Adultos (EJA) pode gerar benefícios econômicos para o país. O levantamento aponta que, se parte da população que ainda não terminou a educação básica conseguir finalizar essa etapa de ensino, o país poderá registrar um acréscimo de cerca de R$ 66 bilhões por ano na renda.
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O valor equivale a cerca de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e reflete tanto o aumento da renda de quem já está empregado quanto a entrada qualificada de mais pessoas em ocupações profissionais.
O resultado da baixa escolaridade se reflete em menores oportunidades no mercado de trabalho. O levantamento mostrou que apenas 43,1% das pessoas que não concluíram o Ensino Fundamental têm ocupações profissionais, quase metade (73,5%) daqueles que terminaram o Ensino Médio.
Outro desafio está relacionado à formalização dos profissionais, com 38,4% dos trabalhadores sem Ensino Médio em empregos formais, enquanto a taxa daqueles que finalizaram a educação básica é de 65%.
A EJA atende apenas 1,5% da demanda potencial, segundo a pesquisa. No entanto, nos últimos anos (entre 2012 e 2025) esse contingente de pessoas reduziu 16%, sendo a maior parte por conta do envelhecimento ou da mortalidade de integrantes desse grupo, e não pelo retorno à escola.
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Desafios
O estudo revelou que quase 64 milhões de pessoas estão fora da escola sem educação básica completa. Entre os principais motivos para o abandono escolar estão a necessidade de trabalhar, no caso dos homens, e as responsabilidades com o cuidado da família, entre as mulheres.
O cenário reforça os resultados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Segundo o levantamento, 54,2% dos homens de 15 a 29 anos que deixaram a escola apontaram a inserção no mercado de trabalho como principal motivo. Já entre as mulheres, as razões se dividem principalmente entre a necessidade de trabalhar (26,2%) e a gravidez (24,7%).
Possíveis caminhos
A pesquisa recomenda sete medidas para que as redes de ensino ampliem a oferta de EJA no Brasil:
- Estabelecer metas focadas nos indicadores em números absolutos de conclusão;
- Garantir que a certificação por exame não substitua a escolarização;
- Fortalecer estratégias de busca ativa e priorização de públicos vulneráveis;
- Direcionar recursos às regiões que têm um maior déficit de aprendizagem;
- Articular as políticas da educação, da proteção social e do trabalho em itinerários integrados;
- Criar condições para conciliar estudo, trabalho e família, oferecendo, por exemplo, creches em horários flexíveis;
- Assegurar financiamento estável, materiais didáticos atualizados e formação permanente aos professores da EJA.
Sobre o estudo
O estudo “População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho” foi elaborado pela Rede EJA e Inclusão Produtiva. O grupo é composto por 16 organizações, entre elas o Itaú Educação e Trabalho, e busca ampliar a oferta da EJA incentivando a implementação das metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE).